Jornal dos EUA diz que ‘vácuo de liderança’ de Bolsonaro agravou crise do coronavírus

A fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para que brasileiros parassem de “frescura” e “mimimi” no dia em que o Brasil superou a marca de 260 mil mortos pelo novo coronavírus repercutiu negativamente na imprensa internacional. Em um editorial, o jornal The Washington Post, dos Estados Unidos, afirmou que “o solo fértil para variantes no Brasil é uma ameaça ao mundo inteiro”.

Na publicação, o jornal não chegou a citar a frase do “mimimi”, mas relembrou que o presidente chamou a Covid-19 de “gripezinha” e fez campanha para o uso de “remédios inúteis como a hidroxicloroquina”. O Washington Post destacou ainda que o país “parece incapaz de sair do abismo” e que “o vácuo de liderança de Bolsonaro deu ao vírus uma abertura para se espalhar”.

“Como o epidemiologista Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, disse ao Post: ‘se o Brasil não controlar o vírus, será o maior laboratório aberto do mundo para o vírus sofrer mutação’. Isso é um problema para todos”, completou.

A agência de notícias Reuters, por sua vez, citou a polêmica fala dita por Bolsonaro e destacou que ocorreu após o Brasil registrar dois dias seguidos de recorde de mortes. “O governo federal tem demorado a comprar e distribuir vacinas, com menos de 3,5% da população vacinada”, pontuou.

Na Alemanha, a rede Deutsche Welle afirmou que “os comentários do líder de extrema-direita ocorrem no momento em que o Brasil atravessa sua semana mais mortal da pandemia do coronavírus, com mais de 1,3 mil mortes por dia”.

Quem também se pronunciou foi o Clarín, um dos principais jornais da Argentina, que citou que, “em meio ao caos”, o presidente “voltou a minimizar a pandemia” e ainda “chamou de ‘covardes’ os que cumprem o distanciamento social”.

“Com recorde de mortes, hospitais à beira do colapso e uma campanha de vacinação em câmera lenta, o Brasil vive a fase mais mortal da pandemia do coronavírus. No entanto, seu presidente novamente voltou a minimizá-la”, continou.

A BBC News, do Reino Unido, também criticou o posicionamento do presidente frente à pandemia e afirmou que o país enfrenta a pior fase da Covid-19 “deixando seu sistema de saúde em crise”, “ainda assim, na quinta-feira (4), Bolsonaro continuou a minimizar a ameaça representada pelo vírus”.

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